Entidades do setor de comunicação manifestam preocupação com decisão judicial sobre sigilo de fonte

Entidades do setor de comunicação manifestam preocupação com decisão judicial sobre sigilo de fonte

As principais entidades representativas da comunicação no Brasil manifestaram preocupação com a autorização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo. O caso envolve a publicação de informações sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.

A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, após solicitação da Polícia Federal, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O jornalista já havia sido alvo de quebra de sigilo em março, também em decorrência da divulgação do conteúdo.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Jornais e a Associação Nacional de Editores de Revistas destacam que ações judiciais que violam o sigilo da fonte não encontram respaldo na Constituição Federal de 1988. As entidades citam o artigo 5º, inciso XIV, que assegura esse direito quando necessário ao exercício profissional do jornalismo.

Segundo o posicionamento, eventuais questionamentos sobre reportagens devem seguir os mecanismos legais, como o direito de resposta e a possibilidade de indenização. Para as organizações, medidas que atinjam o sigilo profissional e de fontes podem gerar um ambiente de intimidação à imprensa, comprometendo o livre exercício do jornalismo e os princípios do Estado Democrático de Direito.

Informações: Associação Nacional de Jornais (ANJ)

Foto: Pixabay

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