Patrícia Cerutti aponta aumento de custos, ajustes nas equipes, falta de mão de obra qualificada e avanço da digitalização como desafios para as empresas jornalísticas
O possível fim da escala de trabalho 6×1 deve provocar mudanças na rotina de produção dos jornais diários, especialmente dos veículos impressos. A necessidade de manter equipes de redação, impressão e distribuição em funcionamento, aliada à dificuldade de ampliar o quadro de funcionários e absorver novos custos, preocupa empresas do setor. Em entrevista ao Sindijore RS, a presidente da ADI Multimídia ( Associação dos Grupos Regionais de Comunicação do Rio Grande do Sul), Patrícia Cerutti, destacou que algumas empresas já estudam alternativas para adaptar suas operações a um eventual novo modelo de jornada. “Nas empresas jornalísticas, a mudança de escala irá impactar, principalmente, nas redações”, afirmou.
Segundo Patrícia, alguns veículos já vinham promovendo ajustes, como a redução dos dias de circulação e a compensação de turnos. A possibilidade de novas contratações, no entanto, encontra obstáculos tanto na falta de mão de obra qualificada quanto na situação econômica. Conforme levantamento interno realizado pela entidade junto aos seus diretores, o aumento dos custos trabalhistas preocupa o setor. “Não temos como aumentar custos. Enfrentamos um período longo em que a economia local está totalmente estagnada”, relatou uma das lideranças de veículos associados à ADI/RS, ouvida durante o levantamento.
Entre as alternativas avaliadas estão a descontinuação de edições de segunda-feira, a adoção de plantões nos finais de semana, sem mobilizar toda a redação, e a ampliação da digitalização de conteúdos que atualmente circulam em papel. As mudanças também podem atingir áreas como a produção, em uma tentativa de compensar o aumento da participação da folha de pagamento nos custos operacionais. A preocupação, conforme relatado à entidade, é conciliar a sustentabilidade financeira com a manutenção da qualidade editorial. “Se entregarmos menos conteúdo, perdemos espaço para os blogueiros e influencers locais que não têm compromisso nem responsabilidade com a apuração, não têm CNPJ e não arcam com custos de impostos e encargos sociais”, desabafou uma liderança do setor, segundo o levantamento da ADI/RS.
Para Patrícia Cerutti, o desafio será adaptar as operações sem comprometer a produção de jornalismo de qualidade. A possibilidade de redução do conteúdo publicado pode ampliar o espaço para produtores informais, enquanto as empresas jornalísticas precisam cumprir a legislação trabalhista e arcar com os custos de suas estruturas. Apesar das incertezas, a presidente da ADI Multimídia reforça o compromisso do setor com a informação de interesse público. “O desafio é imenso, mas o mercado vai se ajustar. O jornalismo será impactado, mas o compromisso de todos nós é lutar para que a produção de conteúdo com qualidade e relevância não seja prejudicada”, destacou na entrevista ao Sindijore RS.
Reportagem: Gabriel Pfeifer – Comunicação do Sindijore RS
Foto: Arquivo Pessoal – Divulgação
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